terça-feira, 1 de novembro de 2011

Caverna


Não se chega à claridade
Sem antes passar pela escuridão
Doces são os pesares da caverna
Que ensinam sobre a morte
As sombras, e a desilusão

Grata a ti escuridão
As trevas
Por tudo o que me ensinaste
Sem ti penaria mais que tudo
E mentiria se dissesse
Que não penaste
As minhas custas

Fui filha infiel
Por um raio de luz
Te abandonei
Mas posso lhe adiantar
Sucesso aqui
Não logrei

O sol não irradia
O fim da escuridão
Mas sim torna mais densa
Toda minha solidão

Mostra-a mais evidente
Latente
Pungente
E o que antes dormia
Hoje arde em chamas
E rebenta em gritos
Nos meus ouvidos
Roucos
Já loucos

Trago em mim saudades suas
Cavernas de meus dias úmidos e macios
Onde tudo era sombra e nada se distinguia
Se a mim me via
Era mera projeção
E bastava
Sem muito porque
Sem nenhuma indagação

Hoje são muitas perguntas sem respostas
E o tardar das horas se faz pesado

Trago este poema cansado
em tua homenagem
Caverna minha
Para sempre
minha

Nenhum comentário:

Postar um comentário