quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Escrever

Um papel em branco é uma oportunidade. Vislumbrar idéias e colocá-las no papel é mágico.
Da tinta da caneta saem palavras de um imaginário colorido e aguçado.
E assim os sentimentos vão ganhando forma, e cor.
Do simples sentir, passam ao existir. E, uma vez no campo da existência, podem ser compartilhados com todos aqueles que os lêem.
Escrever é como navegar por águas desconhecidas... É destrinchar o seu interior e dar forma a todos os fantasmas que aparecem.
E por mais incrível que possa parecer, o milagre acontece! Os fantasmas, uma vez no papel, tornam-se cada vez menos densos e até, quem sabe, tornam-se nossos amigos. A angústia evapora e em seu lugar um bem sentir se aprimora.
Escrever é como operar. Você abre o tecido adiposo, depara-se com sangue, ossos, vísceras, mexe, cutuca, faz a cirurgia e fecha. Ainda pode reler, ou seja, dar os pontos finais e depois convive não mais com aquela dor que ocasionou a cirurgia, mas sim com a cicatriz. A marca fica, para sempre ali, mas ela por sí só não lhe causa dor ou desconforto. Como marca desafia-te a lembrar dela a todo o momento mas não que a lembrança vai lhe fazer cair em prantos. Não, a cirurgia está feita e o tumor, retirado.
O texto imitou a vida: começamos na Walt Disney e terminamos no ER. O que importa, no percurso, é se dar conta de que estamos vivos e que isso é um milagre. Por isso recomendo a escrita: ela te desperta para o sentido da vida e te coloca mais perto de você mesmo.

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