A saudade é algo que mata
Mortifica a alma
Dilacera
Encerra
O que nela
Há de bom
E importante
Não deixa nem por um instante
A gente respirar
Quando viu já foi
A brutalidade chegou
Arrasou com tudo
Tornou até rasgo em miúdo
A saudade não se encerra com o pensamento
Ela aumenta
O tormento
Nem se contenta com a lembrança
Ela agiganta
A esperança
Esperança vã e sutil
Vil
De que a pessoa querida irá aparecer
Melhor é adoecer
De saudade
Quem sabe assim
Virá o tempo a passar
No seu rumo não certo
Acelerado
Encontro-me assim
Inebriado de saudade
Que dói
Querendo lá do fundinho da alma que o tempo passe
E não volte
E que não leve a pessoa querida a outro norte
Senão ficaria perdido
Sem rumo
Sem sorte

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