quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Briga


Tá certo que nem todo mundo é perfeito
Mas precisava ter nascido aquele alguém
Daquele jeito?
E eu com isso?
Como que fico?
Como trabalho em mim a raiva que sinto?

Não trabalho
Grito
E ai já é tarde
A pedra foi lançada
A armadura, retirada
Pronta pra luta
Me esfacelo
E se alguma razão tinha
Perdi no começo
Estou no zero

Palavras são ditas
Como pedras que
Arremessadas
Atingem a cara do adversário
Que sangra
E grita
E arde
E sofre
E eu com isso?
Choro a própria dor
De ser má
Cruel
Covarde
E não fico quieta
Ah não
Faço alarde

Árbitra de mim mesma
Dou-me cartão vermelho
Me expulso de campo
Para não mais jogar
O jogo das intervenções
Humanas
Onde brincam as emoções
Rindo das nossas caras
Bobas e sem graça
Fazendo o que bem entendem
de nossos corações
Frágeis
E medrosos
receosos

Ah emoções
Soubera eu controlá-las
E não estaria eu aqui
Chafurdada
Em suas doces ilusões

Tempo
Ensina-me a viver
E traga-me contigo o segredo
Do bom ouvir
Do bem fazer
E do saber calar
Para não mais ferir
Para não mais machucar
Para saber viver, enfim

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