terça-feira, 4 de outubro de 2011

Ninho



Hoje vi cair
Bem na minha frente
Como se fosse gente
Estatelada no chão
Um ninho de passarinho
Vazio

Foi com dó
E aperto no coração
Que me deparei com aquilo
Maluquice estranha
Como se fosse teia de aranha
Pelo vento destruída
Depois de anos e anos
Construída

Imaginei o trabalho imenso
Que teve o passarinho
E no mais breve soprinho
Adeus ninho...

E então pensei na gente
O tanto que somos
Um ninho vazio
Espaço aberto onde ninguém habita
Alma enclausurada que chora e grita

Chorei
Mais por mim
Do que pelo passarinho
Choro
O choro amorfo do meu ninho
Vazio
Que habito
E que em mim habita
Sem cessar
Todos os dias
No calar da noite
Ou no rufar dos dias
Sozinha

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