Hoje vi cair
Bem na minha frente
Como se fosse gente
Estatelada no chão
Um ninho de passarinho
Vazio
Foi com dó
E aperto no coração
Que me deparei com aquilo
Maluquice estranha
Como se fosse teia de aranha
Pelo vento destruída
Depois de anos e anos
Construída
Imaginei o trabalho imenso
Que teve o passarinho
E no mais breve soprinho
Adeus ninho...
E então pensei na gente
O tanto que somos
Um ninho vazio
Espaço aberto onde ninguém habita
Alma enclausurada que chora e grita
Chorei
Mais por mim
Do que pelo passarinho
Choro
O choro amorfo do meu ninho
Vazio
Que habito
E que em mim habita
Sem cessar
Todos os dias
No calar da noite
Ou no rufar dos dias
Sozinha
Nenhum comentário:
Postar um comentário