Quando te vejo
Me percebo
Quando te escuto
Me sinto
E nesse perceber
e nesse sentir
Me construo
Mais minha
Menos tua
Quando não te vejo
Quando não te escuto
Sinto a ausência mórbida dos dias a dilatar-me as veias
E nela corre o sangue frio do desespero obtuso
Recluso em si mesmo a me atormentar
E com meus demônios fico
A te procurar
Em vão percorro cada brecha sólida do meu ser vivente
E não encontro vida
Que sustente
Esta espera profunda para ver-te
e escutar-te
novamente
Saio às ruas a procura do teu olhar
E me deparo com rusgas a murmurar
Frígidas qualidades de mero bem estar
Aparências vãs que não me satisfazem
E que nada
Me dizem
Ouço músicas em busca do teu som
Da tua voz
E escuto ruídos a abalar
Os meus ouvidos
Grotescos ruídos que não se comparam
Ao doce serenar da melodia que é o teu falar
Sua presença e suas palavras
Valem por quinze
Nas esferas do contar
Pois quando estou contigo sou criança
Volto a brincar
Cadê você que já se foi sem nem ao menos se despedir
Você foi e eu fui ficando
Vendo você partir
Saibas que leva contigo a minha criança inteira
E que jamais encontrarei presença ou voz que se compare à sua
Fico à parte da vida, na margem. À beira.

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