sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Poesia


Tem dias que a gente quer a poesia
Mais que a tudo no mundo
Mais que a gente mesmo
Mas a poesia não vem
Não tem jeito
Falamos manso, sutil
Com o coração leve, aberto
Gentil
E ela diz não
Então nos enraivecemos
E aos berros
Imploramos
E ela impassível
Senhora de si
Continua a nos negar
Sua beleza de estar
Em nossas vidas

Eis que então desestimulada e enfraquecida
Esqueço um pouco os versos e as rimas
E saio de mim para conhecer-me por dentro
Sem meia medida
E me lembro
Assim, de repente
Com o sol já se pondo
Que esqueci de te esquecer
E me pergunto:
Cadê você quando eu mais preciso?
Sua amorosa compania, seus sábios conselhos
Sua prudente eloqüência,
Aquela gostosa dormência
Que ao seu lado sentia
Quando o que mais me faltava
Era a poesia...

Esqueço que me esqueci de te esquecer
E com isso economizo tempo
Crendo ao léu que vivo por viver
Sem saber
Que no fundo
Você foi
E eu fiquei
No mais profundo abismo de mim mesma
Inerte
Impassível
Transfigurada figura que não se sabe ser
Medo ou privação
Loucura ou punição
Cadê você, poesia?
Volta, por favor.

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