Há sede que não sacia
Não seca
Sede de beber assim
Sem parar
Há sede que a gente bebe
E ela não morre
Sede que mata a gente
De tanta sede que há
Há sede de comida
Sede de água
Sede de gente
E até sede de poesia
Há sede de ser
De não ser
Há sede de nada ser
De pertencer
Há sede
Como há...
Hoje acordei com sede
Sem saber do que
Uma sede assim
Doente
Meio febril
Colocou o termômetro
Chamou o antibiótico
E repousada na cama
A sede ficou
Meio que estatelada
Consternada da vida
Tão “sedosa”
Que levava
Eis que a sede me carregou junto
Me amarrou
E não teve jeito
De modo algum
me deixou sair
Bem que tentei
Burlar as regras
Tocar cornetas
Chamar a fonte e jorrar água
Mas de nada adiantou
A sede me prendeu
E desfigurou-me
Quem estava ali, de repente
Era ela
E não eu

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