terça-feira, 25 de outubro de 2011

Doutor


Sabe
Por que interessa saber de tudo?
No mais das vezes
Importa é não saber de nada
Que nem caboclo simples
Que vive em paz
Com seus gados
Com suas cabritas
Com sua vida mansa
Na beira da mata
Enquanto o doutor
Na cidade grande
Corre aflito
Perdido
Em meio às próprias labaredas
Não sabe o que faz
Jaz
Mais morto do que vivo
E nessa roda mecânica
É peça
E seu penar
Pesado
Sufoca sua rotina
Que aglutina
Num velho viver
Suas esperanças
De bem estar
De bem ser
De bem querer
A si
A alguém

Amor
Eis a palavra
Que o doutor procura
E não logra encontrar
Nas matas
Nos rios
No silêncio verde onde tudo repousa, sendo
O caboclo encontra o amor que o doutor procura
Loucura

Eis que então parte o doutor
Desvirginar as matas inocentes
E de lá volta com raiva
É mentira
As matas mentem
Amor nenhum não encontrei
Se quer saber, só doido fiquei

O caboclo lhe adverte
Com simplicidade
Ó doutor melhor o senhor procurar seu amor
É na cidade
Pois o amor está em fazer o que se faz
Amando
E cuidar de cada um
Cuidando

A lua jamais foi a mesma para aquele doutor
Apaixonado
Amou
E ama até hoje
A lua
Companheira sua

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