terça-feira, 11 de outubro de 2011

Joana


Outrora diziam que as palavras curavam
Que eram o bálsamo para a alma ferida
Pois que revirada Joana revira e revira
Já são três da matina
E nada
Não prega os olhos
A chorar desatina
Uma dor assim que dói
De doer
Fogo sem nó
Curva sem chão
No mais, tudo é largo no sertão do sentir

Joana não sabe, mas José bem que tentou lhe dizer
Que estava a sua espera
Acontecesse o que sucedesse acontecer

José foi cedo
Nem deu tempo de Joana passar o batom e lhe dizer adeus
De Jose ficou só o ponto sem nó
A dó de doer assim
De mansinho

Devagar se vai ao longe
É o que as palavras diziam
Mas Joana acreditou e de tão devagar
Divagou
E perdeu José
Pra quem foi
É o que não sabe dizer

Adeus
É a única palavra que cabe na boca pura e casta de Joana morta

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