Sonhei os sonhos mais loucos
E inusitados
Sonhos desvairados
Sem chão
nem coração
Sonhei que era criança
Bem pequenininha
E agradecia a outra amiguinha
Por me apresentar a escola
Em toda a sua imensidão
E por me contar
Que a professora morreu
E que para meu imenso alívio
Não iríamos ter aula
De religião
Sonhei que brigava com duas amigas
Clamava por atenção
E o que recebia
Era um corte e um não
- não haverá conversa
- vê se larga dessa, de querer conversar
- sou amiga da outra e não sua
- é bom você se acostumar
Sonhei também
Com o dia do meu aniversário
Estávamos todos em um parque
de diversão
E quem me conduzia era um cego
No avesso e na contra mão
De tudo o que se pode imaginar e conceber
Possível
Crível
Real
E sua habilidade era tal
Que eu era conduzida por montanhas russas e caminhos longínquos
Em alta velocidade
Sem pudor, sem escapatória, sem maldade
Sonhos assim
Não se compram na esquina
Mudam a gente por dentro
E transformam o dia
Sonhei que era assim
Bem pequenininha
Que brigava com uma amiga
E era conduzida por um cego
Sou eu esta criança medrosa que não vê?
Possíveis e infinitas são as interpretações
Delas não tiro regras
Somente indagações
E fico com o que há de melhor dos sonhos
Que são as sensações...

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