Demorei muito para escrever este post. Queria falar sobre o dia dos namorados e não sabia como. Então decidi falar sobre o amor. E então me perguntei: quem sou eu para falar de um tema desta magnitude? Então decidi esquecer sobre a magnitude do amor, e também sobre quem escreveria acerca dele e aqui estou eu.
Bauman diz que "o amor pode ser, e frequentemente é, tão atemorizante quanto a morte. Só que ele encobre essa verdade com a comoção do desejo e do excitamento. Faz sentido pensar na diferença entre amor e morte como na que existe entre atração e repulsa. Pensando bem, contudo, não se pode ter tanta certeza disso. As promessas de amor são, via de regra, menos ambíguas do que suas dádivas. Assim, a tentação de apaixonar-se é grande e poderosa, mas também o é a atração de escapar. E o fascínio da procura de uma rosa sem espinhos nunca está muito longe, e é sempre difícil de resistir".
Isso diz tudo e em grande parte, resume o que tenho a dizer.
Muitas pessoas unem-se as outras não porque as amam verdadeiramente mas sim porque têm medo da morte. Da morte em solidão. De morrer sozinho. Muitos casais são, um para o outro, muletas, verdadeiras muletas, que não esboçam a mais mínima alegria em estar com o outro pelo outro mas somente porque este outro lhe confere status, porque o livra da morte, da solidão. E estar junto passa a ser uma circunstância e não um bem querer. Passa a ser uma situação de vida, cômoda, fácil, regular.
Há outros casais, mais raros, diga-se de passagem, que estão juntos para celebrar o amor. Para celebrar o encontro verdadeiro de almas afins. Estes sim, vêem no amor, um caminho para a morte. Porque o amor nada mais é do que a morte de si mesmo em prol de um Outro. A morte que permite o renascimento de um terceiro, o amor, que vem coroar a relação, marcando a alteridade de cada um. Esse sim é o amor legítimo. Não aquele em que o outro é sua muleta nem tampouco aquele outro em que o parceiro é a sua vida inteira. O amor verdadeiro fica entre tudo isso. É algo intangível e inexprimível mas que sobrevive a dualidade dos dois e constrói um terceiro elemento. Algo em comum, que respeita as diferenças e sobrevive, mesmo que cada um tenha morrido para si, em parte. O amor tem algo a ver com a morte, sim. Ambos exigem o descobrimento de um novo ser, do ser que ama, o amor, no caso do amor e a vida, no caso da morte. Isso é tudo o que tenho a dizer sobre o amor e ainda que um pouco enigmático, é o melhor que sei expressar. Boa noite de sábado e feliz dia dos namorados!

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