quarta-feira, 8 de junho de 2011

Onde iremos chegar?

Tenho um desabafo a fazer. Amargo, desses que a gente não engole fácil. É como tomar uma aspirina sem água e sentir seu gosto azedo espalhando-se por toda a boca. Quero desabafar sobre o meu inconformismo, sobre a minha indignação.
Estamos, todos, ao nascer, fadados a morrer e isso é óbvio. Mas penso que não estamos só fadados a uma morte, a física, pois morremos, deveras, de várias outras maneiras. Morremos a cada instante em que deixamos de ser livres. E de fato, a liberdade nos falta. Sim, porque somos obrigados a desempenhar vários papéis sociais ao longo de nossa existência. A sociedade nos educa para sermos pessoas bem sucedidas na profissão, para constituirmos uma linda (e feliz) família, ou seja, para termos um bom casamento, para sermos esbeltos e belos, para fazermos esportes e sermos saudáveis, para, enfim, sermos perfeitos. E quem foge deste padrão não o faz por querer, porque todo mundo quer estar "encaixado" (como uma peça mesmo), na sociedade. Quem o faz perdeu o jogo, fracassou. É um "looser", alguém a margem da sociedade, aquele que não é visto com bons olhos.
Mas me pergunto: em que sentido então podemos nos declarar livres? Se nascemos obrigados a sermos homens/mulheres de sucesso, pais/mães responsáveis, esposos/esposas felizes, enfim, se nascemos para pertencer a uma máquina que nos impõe regras, como podemos ser livres? E como sobreviveríamos se não fosse a sociedade?
Estamos imersos nesse giro e nem nos damos conta de que estamos girando. Mas estamos e bem rápido. Girando e girando passamos os nossos dias. E como seria se assim não fosse? Como seria se a televisão não nos bombardeasse com modelos perfeitos, com formas perfeitas de ser e estar no mundo? Como seria se não vivessemos cercados por consumo, de toda espécie. Como seríamos se pudéssemos consumir menos para sermos felizes? Seríamos mais ou menos tristes?
Não tenho nenhuma resposta, sou só indagações. Mas trago comigo uma certeza: parte do vazio que sentimos conecta-se ao excesso de regras que a sociedade nos impõe. Sim, porque temos que preencher a expectativa de um Outro para sermos felizes e é fato, não conseguimos preencher. Então nos sentimos vazios, miseráveis, inferiores. Além disso, consumimos em demasia. Consumimos também para preencher o vazio, para nos sentirmos importante, superior, alguém e alguém com valor.
Onde iremos chegar? Fico com essa pergunta e com um desejo enorme de ser livre. A liberdade me é cara, só não faço a menor idéia de como consquistá-la.

Nenhum comentário:

Postar um comentário