sexta-feira, 10 de junho de 2011

Preconceito e discriminação

É importante que se diferencie preconceito de discriminação. Preconceito é a idéia, preconceituosa, que você tem acerca de alguma coisa, enquanto discriminação é agir contra esta determinada coisa em virtude do seu preconceito. É dizer, enquanto o preconceito está no campo das idéias, a discriminação está no campo da ação.
Pois bem. Muita gente é preconceituoso mas não age de acordo com o seu pensamento, ou seja, não exterioriza sua opinião e consequentemente, não discrimina. Já outros discriminam, ou seja, manifestam o seu preconceito a céu aberto.
Enquanto a discriminação pode ser erradicada ou coibida por meio de leis, vide o projeto de lei contra a homofobia, o preconceito jamais poderá ser erradicado, visto estar arraigado no íntimo de cada um.
Hoje me deparei com outra espécie de preconceito, que me era desconhecida. O preconceito contra o esteriótipo do rico. Vestir abercrombie, ser uma pessoa viajada, falar mais de uma língua, estudar em uma faculdade cara, ter um ótimo carro, tudo isso virou motivo para preconceito. São esteriótipos que, se preenchidos, levam a conclusão de que a pessoa possuidora de tais atributos é uma rica filhinha de papai, que não quer nada da vida, que não se preocupa com os outros, ou ainda, e mais, que nem olha para esses outros em sua existência.
Assim como ter preconceito contra pobres, índios, negros, doentes mentais, prostitutas etc é errado, ter preconceito contra ricos também o é. Não é só porque a pessoa tem dinheiro que ela não se indaga qual o sentido da vida, que ela não se engaja para melhorar as condições sociais, que ela não reflete sobre a vida e seus benefícios/malefícios.
Estamos todos inseridos em uma sociedade consumista e é errado tachar aqueles que detêm mais poder de consumo como culpados. Porque a desigualdade não é culpa de quem tem muito. A desigualdade é culpa da estrutura de classes da nossa sociedade determinada por fatores históricos. Não é certo culpar aqueles que detêm um maior poder econômico acerca das misérias que assolam a humanidade. Tem muitos, que tem dinheiro em abundância e que realizam trabalhos sociais no lugar do governo. Tem outros, que têm um pouco menos, mas que são detentores de uma empresa, que gera empregos. Ou seja, é errado olhar o mundo através de lentes com a ótica voltada para o preconceito. Porque, enquanto seres humanos, somos todos iguais e enquanto indivíduas, somos todos diferentes. Cada um é aquilo que sabe e que consegue ser e se na vida tudo é uma escolha, uma coisa estou certa de escolher: eu escolho olhar a todos com os olhos da liberdade, ou seja, com um olhar que permite o outro ser quem ele é, independetemente de sua origem ou classe social.

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