terça-feira, 7 de junho de 2011
"Pensar é estar doente dos olhos"
O mundo não foi criado para pensarmos a respeito dele mas sim para ser sentido, através do olhar, do tato, do olfato, da audição, da fala, através de nossa imaginação. O mundo é o lugar em que experimentamos ser alguém, por nós mesmos, para alguém mais. Porque sem o outro, não existimos. Impossível existir saudavelmente sozinho, isolado. E é sentindo que caminhamos por entre todos os abismos que o mundo nos impõe. Vemos o céu e sentimos alegria; nos deparamos com a maciez e o conforto do travesseiro e nos sentimos em paz; ouvimos uma boa música e nos regozijamos com ela; conversamos com alguém e saímos crescidos daquela conversa; imaginamos os nossos sonhos se transformando em realidade e sentimos confiança. Sentindo, é assim que caminhamos no mundo.
"Pensar é estar doente dos olhos" é uma frase de Fernando Pessoa que nos remete a esta reflexão: pensamos sobre a vida ou de fato a vivemos? Estamos como máquinas inseridos em um cotidiano frenético ou estamos serenos, enxergando a vida como de fato ela é? Estamos acordados ou dormimos? Vemos, de fato, ou estamos cegos como Saramago bem nos diz? Quero acordar para a realidade agora mesmo. Pois sinto que muitas vezes durmo para a vida. Durmo na esperança de que esse pesadelo acabe. Durmo para driblar com mais facilidade as aflições e quando digo isso quero dizer que muitas vezes me escondo dos desafios, tiro o corpo fora das discussões, para não ver, para não sentir, pavor. Muitas vezes adormeço também para o novo e fico com aquele bom e velho que é o conhecido. Me retraio, saio de cena e, ausente de mim, caminho dias afora.
Quero participar da vida com toda a intensidade que ela merece. É essa a oportunidade que me foi designada e à ela quero fazer jus. Já não acredito mais em religião, muito menos em um Deus tirânico e fatal. Acredito no poder do amor e é com este que quero passar o resto dos meus dias. Para escreverem na minha lápide: "aqui jaz quem realmente amou".
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