domingo, 4 de setembro de 2011
Apaixonar-se
Apaixonar-se é uma desgraça. Jã me adianto aos românticos e peço-lhes que não me venham com argumentos contrários pois hoje não estou para argumentações. Acredito firmemente que se apaixonar é a pior coisa que puderam inventar. É um desígnio maligno, dado por não sei quem, à humanidade.
E quando digo isso trago em mente o apaixonar-se sem a consequente correspondência, claro. O apaixonar-se acima de tudo e com todas as suas forças por alguém que não lhe dá a mínima. Alguém que nutre por você, um carinho de "amigo", no máximo.
Então você olha a pessoa e com este olhar vem aquele frio no estômago de arrepiar os pêlos existentes e inexistentes da pele. Você ideliza a pessoa a ponto de quere-la ao seu lado para todo o sempre. Imagina-a com você, em todos os lugares, em todos os mínimos momentos. Cada música passa a ser uma celebração desta paixão e cada pensamento é dedicado ao bem amado. Desde o primeiro do dia ao último da noite, são todos, todos, do bem amado. E com esse sentimento voraz a corroer-lhe as tripas você mal vê a hora de encontrar a pessoa, de sentir seu cheiro, escutar sua voz, prestar atenção em seus trejeitos, jeitos, avessos modos de estar na realidade, sentindo, acima de tudo.
Mas eis que o balde de água fria cai e você acorda. Tudo não passa de um grande sonho, uma bela fantasia, acesso mágico a um imaginário profundo pois na realidade o bem amado nada quer com você. Nada. E você então desliga o despertador, se levanta, joga água na cara, escova os dentes, toma um café e fumando um cigarro escreve num guardanapo: apaixonar-se é uma desgraça.
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