sábado, 24 de setembro de 2011

Indagação


Só sei que te desejo. Imensamente. E quando desejo, desejo mesmo. Profundamente. E isso dói. Bem dentro de mim. E é para lá que vou. Investigar o que, afinal, é esse maldito amor. O que vejo em ti é a ausência daquilo que não trago em mim? Vejo-me e olho-te no espelho. Não por querer ser-te, mas sim por amar-te, imensamente. O que são as canções de amor, senão gritos surdos de lamentação? Eis que grito agora. E busco-me na tentativa de arrancar-te de mim.
Vou em busca do mistério mais profundo chamado eu. Avanço sobre minhas qualidades, detendo-me em algumas e descartando outras, muitas. Passo pelos defeitos e desajeitada, dou um jeito de não vê-los direito.
E o que importa esse exame se afinal de contas é só o meu coração quem grita? Ver-te em tudo é estar apaixonada. O que fazer com essa paixão, eis que impossível, é a questão primordial.
Arrancá-la tal como arrancamos as flores que murcham. Seria a melhor solução. Mas não sou flor. Alimentá-la tal como alimentamos um bebê que chora. Seria a pior solução. E eu já não sou mais um bebê.
Deixá-la ser.
Mas o que isso significa?

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