Entrei por uma porta e lá encontrei Yasmim. Ela vestia um vestido leve, de cetim
Era bela como a avó
E sorria feito a mãe
Yasmim tinha medo escuro então dormia de luzes acesas
E fazia xixi na cama todas as noites o que significava tabefes todas as manhãs.
Na escola Yasmim era zoada até pelo professor. Não tinha um amigo sequer. Por isso, Yasmim aprendeu a brincar com seus amigos imaginários: cloé, utre, klikó, pingo, plita, entre outros.
Eles jogavam bola, assistiam desenho animado, tomavam sorvete, brincavam de boneca, faziam tudo junto.
À eles Yasmim confessava seus segredos mais íntimos: tenho medo de gente. E eles achavam que ela tinha razão. Tenho medo do escuro porque nele o pior tipo de gente pode aparecer e me levar daqui. Eles concordavam com Yasmim, e não queriam ficar sem ela.
E nesse acordo entre gente e imaginação foi que Yasmim cresceu.
Quando indaguei o que ela fazia ali, dentro daquela porta, ela me respondeu procuro meu coelho, ele se perdeu.
Nunca mais soube o que foi de Yasmim ou de seu coelho, mas lembrar dela me dá saudades.... Saudades de um tempo em que a única missão era ser criança. Em que o mundo era pleno de fantasias e que tudo valia, dependia só, da imaginação.

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