sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O outro

A cada dia descubro uma faceta nova do meu ser. E isso me apavora. Tenho vontade de encher a cara, mas não posso. Vontade de sair gritando pela rua, puxando os poucos cabelos que tenho, mas não devo. Vontade de dançar loucamente, mas tenho vergonha. Então me resta escrever. E como diz Fernando Pessoa, "escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida". Portanto, me embriago com um pouco de escrita e esqueço que tudo passou por mim. Esqueço que estou sendo atravessada por um turbilhão de emoções as quais não sei dar nome.
Porque o pior dos mundos é você sentir e não conseguir discernir o que você, afinal de contas, está sentindo. Que nome isso tem? Como está escrito no dicionário? Inventaram um nome pra isso? Acho que não... Então o nome que fica é o de sempre: confusão emocional. Sem mais, nem menos.
A par de todo este turbilhão, decobri hoje, e o que faço é uma confissão, que preciso de alguém para viver bem. Talvez preciso escrever e publicar porque preciso ser lida. Preciso ser aceita. Preciso ser incluída. O olhar e a interpretação do outro para com o meu texo é o verdadeiro sentido e a verdadeira motivação para que este seja elaborado. Sem que o outro entre em contato com o que escrevo, não tem a menor graça. Assim sou eu na vida. Sem o outro, não tenho a menor graça em existir. ALTERIDADE. Daí o nome do blog. Preciso do olhar do outro para legitimar minha existência no mundo e mais, preciso olhar através deste outro para ver o mundo também.
E quando eu gosto deste outro, eu gosto. Com toda a intensidade possível e imaginável. Então passo a querer ter o outro dentro de mim, como parte da minha vida. Eu e o outro, um. Assim é, assim tem sido, assim será? Não sei. Quisera eu poder mudar o destino das coisas. Fixá-lo de outro modo, torná-lo mais suave, menos obsessivo. Sim, porque de certa forma tenho um comportamente quase que obsessivo para com a outra pessoa. Ela passa a ser o meu norte e desnorteada, caminho sem rumo porque ninguém é caminho de ninguém então me perco. Perdida indago os porques e não chego a conclusão alguma. Não existe o porque de nada. Aliás, causa e efeito não explica muita coisa, de fato.
Lembro que quando criança tinha medo que meus pais morressem. Muito medo. Eles não podiam ameaçar  sair a noite que eu já montava o berreiro. Mesmo assim eles saiam. E o resultado? Noites não dormidas, passadas em aflições, com um pavor aterrorizante de que, naquela noite, eles não voltariam para casa.
É mais ou menos essa a sensação que tenho hoje. Medo de que, ao não ser incluída, amada, olhada, eu deixarei de pertencer a mim mesma. Mas o estranho é que não depende do meu olhar, mas sim do olhar daquele outro que escolho como o meu herói da vez. Tenho a sensação de que vou desaparecer, sofrer, amargar no esquecimento se não for olhada, amada, incluída.
Tenho pena daquele que escolho como meu herói e raiva de mim por sentir cada milésimo dessa confusão que prefiro não adjetivar...

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