terça-feira, 13 de setembro de 2011

Gostar

Gostar é um bicho difícil. Ainda mais quando é um gostar assim, sem nome. Um gostar indefinido.
De início você projeta mil gostares e a pessoa passa a ser sua mãe, pai, amiga, amigo, namorada, namorado, irmã, irmão. Passa a ser mil sonhos que você sonha com ela sem estar dormindo. Mas então você dorme e quando sonha de verdade vem a resposta: a pessoa não é nada daquilo do que você imaginou ser. Nada. E então o que você ganha com isso é uma grande dúvida remanescente: o que é aquela pessoa de quem eu tanto gosto? Só pode ser sonho. Me acordem, joguem água fria, tentem todos os truques pois não quero continuar dormindo e sonhando esse sonho ruim... Essa dúvida a me corroer escancara o que há de pior em mim pois me imagino em mil papéis e nem todos são agradáveis. Me imagino gostando como filha e aí quero ser a filha dessa pessoa. Filha mesmo. Com todos os mimos possíveis. Ser alguém especial no coraçãozinho dela. Me imagino amiga e então quero saber todos os segredos, os mais íntimos e reveladores. Quero estar dentro da pessoa, ser seus olhos, saber ser seu olhar. Me imagino namorada e aí quero sentir o cheiro, de perto. Me imagino irmã e aí quero ser parte da família, sair para fazer compras, chorar e ler poesia junto. Tomar café e comer bolo de fubá.
Mas o que eu quero mesmo, independentemente de todos esses papéis que me representam, e assustam, é estar perto desta pessoa por admirá-la enquanto um ser humano. Por considerá-la alguém especial em minha vida e por nutrir por ela, um carinho que nutro por poucos. Mas como nem tudo é justo, a pessoa de quem vos falo é a Rosa do Pequeno Príncipe. E antes que considerem isso um delírio, já vos adianto: ela tem vida e exala Poder. Mas tem um porém: ela não fala. Nada. Então nada sei sobre ela. Apenas sei o que apreendo com os meus olhos e posso vos dizer, ela exala Beleza.
Não sei. Essa é a resposta que fico a cada indagação que faço à Rosa. Incógnita, desconforto, mal estar. Bem vinda a vida. É o máximo que posso extrair do ar. E nesse conflito é que sento e escrevo, para ver se esqueço.

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