domingo, 18 de setembro de 2011

Espinhos


Não se chega ao perfume da Rosa sem antes passar por seus espinhos
E não se chega ao perfume da Rosa em si
Mas sim ao perfume que imaginamos ter a Rosa
Assim como os espinhos não são aqueles que percebemos na Rosa
Mas sim os espinhos que trazemos dentro de nós
Deixem-me com meus espinhos
Parem com seus gritos, agora
Quero senti-los arranhando a minha pele, por dentro
E no avesso, do avesso, de mim mesma, torná-lo reais
Quero a boca, sem roupa
Para ser mais
Muito mais do que sonhei ser
Quero despir-me e desnuda
Descobrir-me sendo, alguém
Basta de bois me perseguindo na calada da noite
Basta de mudanças e mudanças sem fim
Porque a mim foi destinado o melhor dos cavalos
Ei-lo, a espera
O mais forte de todos
Boi nenhum vai me pegar
Nem de noite, nem de dia
Basta de monstros
Já disse chega
Os espinhos são o suficiente
E tal qual foice dilaceram-me no mais profundo do meu ser
Rasgam-me por dentro
Fazem-me  intermitente companhia
Há que se carregar esses espinhos
Quando se está embriagada por uma Rosa
Há que suportar seus cortes, suas feridas, seus desafetos
Há que se passar por toda espécie de medo e aflição
Percutir o coração
Como a um porão que só se enxerga com lanterna
Estou sem lanterna
Vejo-me perdida em meio a sombras e bois
Mas há um cavalo
O mais valente
E sim, ele há de me levar daqui
Para onde?
Não sei
Porque os espinhos estão dentro de mim
E ainda que bem longe
Eles estarão comigo
Há que se conhecer os espinhos quando se está embriagada por uma Rosa
Destino.
Indelével mistura de sarcasmo com ironia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário